“Comparar o Incomparável: FERSAP questiona rankings escolares”

4 de Abril, 2025

Esta sexta-feira foi publicado o ranking nacional de escolas, baseado única e exclusivamente no desempenho nos exames nacionais do ensino secundário – ou seja, na média das classificações obtidas em oito exames realizados por alunos de escolas públicas e privadas que efetuaram mais de 100 provas, em território continental e insular.

A FERSAP volta a questionar o interesse e manifesta-se contra este tipo de rankings que, ao promoverem uma comparação “cega” entre escolas, acabam por comparar realidades profundamente distintas. É com preocupação que assistimos ao impacto negativo que estes rankings podem ter, ao induzirem interpretações erradas sobre a qualidade da Educação em Portugal e o trabalho desenvolvido nas escolas, muitas vezes em condições bastante desiguais.

Este tipo de classificação ignora fatores determinantes para o processo de aprendizagem e para o desempenho dos alunos, tais como:

  • a falta de professores;
  • a ausência de docentes ao longo de todo o ano em determinadas disciplinas;
  • o contexto socioeconómico das famílias;
  • o grau de habilitações literárias dos encarregados de educação;
  • a capacidade financeira para recurso a explicações;
  • e as condições das infraestruturas escolares.

A FERSAP defende que uma Educação de qualidade não pode ser reduzida a indicadores meramente quantitativos. Rankings que desconsideram o contexto em que as escolas operam têm efeitos perversos: estigmatizam escolas, desmotivam alunos e professores, e afastam-nos da missão central do sistema educativo – o sucesso de todos os alunos.

Reconhecemos que a comparação entre escolas pode ser útil e construtiva, desde que feita com justiça e equidade. Só assim poderá contribuir para uma real melhoria das práticas e para a promoção da qualidade no ensino.

Neste contexto, rankings bem estruturados podem ter um papel positivo:

  • ao promoverem transparência;
  • ajudarem os encarregados de educação a tomar decisões informadas;
  • identificarem boas práticas;
  • e estimularem o debate público sobre o sistema educativo.

Por tudo isto, a FERSAP apela ao Ministério da Educação para que desenvolva políticas educativas mais justas, equitativas e fundamentadas, que assegurem as condições para o sucesso escolar em todas as escolas – independentemente da sua localização ou contexto. Acreditamos que todos os alunos merecem oportunidades iguais. Não podemos aceitar menos do que isso.